na midia  
 

História

CLUBE DE CRIAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

A essência do trabalho de qualquer profissional de criação é ajudar seus clientes a construir marcas. Toda a indústria da propaganda evolve ao redor deste objetivo maior ­ e o retorno em vendas, vem a reboque de um bom trabalho de construção de marca, aliado, claro, a diversas outras variáveis, entre elas uma que depende do cliente: a qualidade do produto. Faço uso esta pequena conceituação para introduzir a pequena grande história do novo Clube de Criação do Rio de Janeiro.  Uma marca que nasceu forte, ficou desacreditada a ponto de quase desaparecer, e hoje respira força e jovialidade. Mas vamos voltar um pouco no tempo e, através da memória de um dos protagonistas da história do Clube, Carlos Pedrosa, hoje na Contemporânea, relembrar: “Tudo começou aí por volta de 1973, quando o Franco Paulino esteve com o Zaragoza e o Jarbas Nogueira em São Paulo, ficou sabendo que eles iam lançar o CCSP, e sugeriram que fizéssemos o mesmo aqui. O Franco pediu uma reunião com os diretores de criação do Rio, que acabou acontecendo na Norton, onde eu trabalhava na ocasião. Assim nasceu o Clube.”

OS TRÊS PRIMEIROS PRESIDENTES

“Na reunião seguinte o José Montserrat   foi aclamado Presidente, e à  sua
gestão  deve ser atribuída a maior parte do prestígio que o clube ainda
mantém até hoje, apesar dos equívocos das décadas seguintes. Depois dele, o
Presidente foi o Pedro Galvão, depois eu.”

AS BATALHAS

Desde o começo, o CCRJ seguiu caminho  diferente do CCSP. Primeiro, tínhamos uma luta política, numa época em que o governo autoritário impedia a livre expressão do pensamento. O CCRJ foi  uma espécie de precursor das ONGs, e deu espaço para exilados. Sabíamos que havia até agentes infiltrados no clube, mas íamos em frente. O Clube teve sede com auditório, teve cineclube atuante (Henrique Meyer) e teve até um jornal muito bem feito com entrevistas fantásticas, como a que o Ronaldo Conde e outros fizeram com o Gabeira assim que ele pisou o chão brasileiro,  voltando do exílio.

A IMAGEM DO CLUBE

Mas não era só isso. O Clube lutava pela valorização profissional e pela valorização DO profissional,que são coisas distintas. Assim, quando havia ameaça de demissão em massa em alguma agência, os próprios empresários se preocupavam em procurar-nos e tentar explicar o que estava acontecendo. Uma coisa assim seria impensável hoje, provavelmente interpretada como intromissão nos negócios internos da empresa. Mas dá pra sentir o respeito que o Clube inspirava.

INESQUECÍVEL

Não dá para falar do tempo glorioso do CCRJ sem lembrar o apoio corajoso e total que lhe foi dado pelo João Carlos Magaldi, que era Diretor de Comunicação da Rede Globo. O Prêmio Profissionais do Ano também é desta época, fruto da vontade política do Magaldi, ardoroso entusiasta do trabalho de todos nós.

E voltando à história mais recente do Clube. Ela teve início em fins de 1999, quando alguns jovens profissionais de criação, que estavam em ascensão em suas carreiras, se interessaram pelo potencial da marca CCRJ. A partir da gestão de André Eppinghaus, o Clube ganhou um website e criou para o Clube uma gestão compartilhada, onde o Presidente era, de fato, uma espécie de maestro cercado por diretores que passaram a ter funções bem
definidas. Assim veio o Anuário do CCRJ, que acabou gerando um Festival anual. Em sua gestão, o Clube voltou a promover encontros semanais, criou um concurso de estudantes valendo estágios nas melhores agências do Rio (Clube do Futuro), promoveu a campanha “Eu quero trabalhar no Rio”, realizou eventos como a exposição “Por quê você quer trabalhar no Rio?”, onde diretores de criação respondiam à pergunta através de obras gráficas.

Em 2001, veio Fernando Campos, então redator da Giovanni, FCB, mais tarde diretor de criação da agência. Fernando passou o bastão em 2003 comemorando a introdução do Festival Melhor do Rio, em Búzios, o patrocínio de dois anos seguidos do concurso Young Creatives e do crescimento do Prêmio Folha Dirigida para Estudantes, criado pelo então diretor do clube e último presidente, Álvaro Rodrigues, que se tornou referência de oportunidade de estágio para estudantes de todo o Brasil.